Homens comunCs falam de moda e do que eles pensam sobre o assunto.


Moda é coisa de homem?
Eu vejo a moda como uma expressão de um determinado local e de uma determinada época, nada mais que o próprio modo de ser dessa população específica. Dessa forma, moda é coisa de homem, e se o cara tem um pouco de inteligência, ele vai querer estar antenado com o que vestir, o que ouvir, o que ler. Não numa busca de se auto-afirmar diante da sociedade em que vive, mas para estar informado, para saber se colocar no mercado de trabalho e para caminhar no ritmo do mundo a seu redor.
Você acha que tem estilo? Como é ele?
Puts! Aí você me pegou. Não sei se consigo distinguir meu estilo. Uma coisa é certa, eu não costumo ser muito comunzão. Eu geralmente gosto de roupas que tenham um “a mais”. Sei lá, que tenham um diferencial, mas que também não sejam tão “diferenciadas”. Curto um bom jeans, Levi’s preferencialmente, straight, e tenho gostado dessas calças meio “carrot”. Curto uma boa camiseta branca, e misturo coisas sociais com casuais. Da cabeça aos pés eu vou de Keith Richards a Hunfrey Bogart no mesmo dia, então, não sei definir meu estilo. Mas não uso nada que fique muito grudado no meu corpinho de herói de TV (Adam West na série Batman). Ultimamente estou numa fase de caveiras. Pulseiras, anel… sei lá, não por morbidez, mas por pura estética.
Qual a tua peça favorita e aquilo que você não usaria nunca?
Favorito, sem dúvida, é o Converse All Star Chuck Taylor.
Não usaria nunca? Deixe-me pensar… saias e crocs (nem no banheiro com a luz apagada)
Cor preferida.
Se preto é cor (e não ausência delas) é o preto mesmo. Sou muito monocromático.
Marcas que você usa…
Já falei da Levi’s, mas gosto da Osklen, Calvin Klein, alguma coisa da Cavalera, e tenho bastante coisa de uma marca criada pelo grupo do Valentino que é meio Country Urbano, que é a Marlboro Classics (MCS). Não vende no Brasil e é herança de meus anos em Roma. Muita coisa da Zara, H&M e da OVS também.
O que não pode faltar no guarda roupas masculino?
Cueca nova e limpa (risos), de modelo básico, nada de boxer. Lembro de um amigo que sofreu um baita acidente e ficava tentando lembrar no hospital, em meio às dores, se justo naquele dia ele estava com sua única cueca furada. Bom, sem brincadeira, homem tem que ter um belo costume (terno), mais que um, preferencialmente. Boas camisas sociais, brancas, básicas, que vão bem com jeans ou roupas sociais. E algumas gravatas. Eu curto usar algumas no dia a dia, mesclando com blaser e jeans.
Pra comprar roupas: Loja de departamento, lojas de grife ou supermercado?
Supermercado ninguém merece (ou será que a Chanel vende em algum Pão de Açúcar por aí?); Agora, eu curto as lojas de departamento gringas, como Zara e H&M e tenho muitas roupas dessas lojas. Já as brasileiras ainda têm muito o que aprender, mas já dão ares de crescimento, com a presença de estilistas famosos em suas araras. E lojas de grife para roupas especiais.
Existe limite pra você quando compra roupa/sapato?
Meu limite de tempo é definido pelo estado das roupas atuais. Sapato eu detono um ou dois até não prestarem mais. Roupas, quando deixo de curtir uma, busco outra. Agora, limite financeiro, eu acho total absurdo pagar meio apartamento por uma roupa, por mais grife que seja. Se o titio Karl quiser me dar alguma coisa da Channel eu aceito com gosto, mas comprar, nem pensar. Não tenho e nunca tive um terno ou costume Zegna, nem morando na Itália, onde era bem mais barato. Mas também não sou tão mão fechada, e prefiro coisas de qualidade.
Calçar um chinelo confortável ou apertar os dedos com um sapato apresentável?
Total conforto, ainda que me vejam de mocassim sem meia (gosto disso), certamente ele, por mais bico fino que seja, serve como uma luva nos meus pequenos pés 44. E gosto muito de chinelos de couro. Mas só faço o estilo praia, na areia, quando pego minha Stand Up Paddle e caio na remada.
Você presta atenção no que os outros homens vestem?
Presto, claro. Como fotógrafo, as pessoas são meu objeto de inspiração e sempre vejo e faço uma crítica na minha mente. Os homens mais bem vestidos que vi na vida, estavam na Itália. E os mais mal vestidos, infelizmente, no Brasil. É fácil identificar um brasileiro na Europa, basta ver um sujeito de calça jeans, óculos escuro, mochila e camiseta de time de futebol. Não importa o time, o cara é brasileiro! (risos) Mas o que me move ainda é o universo feminino. Gosto de ver as mulheres, as bonitas, as bem vestidas, as com mais idade, as vovozinhas chiques! Eu amo o universo feminino, ou como diria o saudoso João Paulo II, o gênio feminino. Mas detesto esse feminismo que faz as mulheres iguais aos homens. Mulheres devem ser mulheres, devem ter perfume de mulher, seduzir com sua doçura, com seu sorriso, com suas beleza feminina.
O que acha ridículo?
Puts, o ridículo é tão difícil de definir, e ao mesmo tempo, tão fácil de se identificar quando se dá de cara. Acho que o ridículo (ou risível, etimologicamente falando) é aquilo que não tem nenhuma relação com a pessoa. Nas próprias Fashion Weeks é possível você ver uma pessoa belíssima vestindo um motivo de oncinha e outra que só desperta risos. Mas tudo isso é subjetivo. As pinturas de Matisse foram chamadas de monstruosas (le fauve = as feras) quando foram expostas e hoje são tidas belíssimas. O ridículo depende do local e do tempo. Na minha cidade, Taubaté, interior de São Paulo, o chapéu de palha, acompanhado de camisa xadrez e calça dobrada até a canela, com uma botina Zebu, não é ridículo, dado que é a vestimenta típica do caipira, do trabalhdor rural daqui, mas uma baiana vestida com roupas típicas, vai causar risos, mesmo que esteja vendendo acarajé. Igualmente um gaúcho de bombachas, em Pelotas pega bem, aqui é fantasia de carnaval ou de garçom de churrascaria.
Você sairia correndo histéricamente numa promoção como as mulheres fazem?
Depende, se fizerem uma promoção de Hasselblads (câmeras caríssimas e sonhos de consumo) por mil dólares eu juro que atropelo uns três pelo caminho (risos). Mas eu raramente me dou conta das promoções, se compro algo em “sale” é porque entrei na loja no momento certo e escolhi a roupa que, por uma obra do acaso, estava em promoção.
Você não sairia com uma mulher vestida…
Dependendo do lugar prefiro não vestida… (hahahahahahaha). Mas falando sério, vestida como perua. As peruas não fazem meu tipo. Ah! E jamais faria o Cowboy em Barretos, e não andaria com uma mulher nesse esquema, ainda que o Paulo Martinez, da MAG, me chame de Cowboy, por estar em TaubaTEXAS (risos).
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José Caetano é fotógrafo, compositor e artista plástico, foi advogado e depois trabalhou como editor e posteriormente como CEO da agência de notícias ZENIT, com sede nos EUA, e sede operacional em Roma, cidade em que viveu, indo e vindo, nos últimos 9 anos. Preferiu deixar a Cidade Eterna para voltar às origens do interior de São Paulo, para onde trouxe sua agência de produção de fotografias, a STONE, que fora fundada aos pés do Coliseu em 2009. Trabalha com fotografia de moda e publicidade. Acaba de fundar a Revista Pimenta (no dos outros arde), que trata de moda, música, cultura, literatura, comportamento e fotografia. Além disso, é marido e pai de duas lindas gatinhas, adora cães (sua Bull Terrier de nome Leica), de paixão, vai de bicicleta pro estúdio e surfa no verão. Gosta de tocar um blues com sua Les Paul, e tomar vinho no final de semana. Admira um bom charuto e coleciona chapéu. Vício: Coca-cola. E vai à missa aos domingos e dias de festa como manda a Santa Igreja.
www.agenciastone.com e blog.agenciastone.com
Twitter: @agenciastone e para a Revista Pimenta @revistapimenta
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