
Sinto falta de novidade. Na verdade sempre fui muito inquieta. Rotina e mesmice são coisas que não fazem parte do meu vocabulário. Quer me ver irritada? Seja monótono.
Monotonia. Essa palavra tem definido bem o cenário da moda brasileira atual, onde são armados circos de fantoches, com direito a celebridades para piorar a situação. Me sinto uma palhaça. Ou pior! Me sinto uma espectadora que é obrigada a ver alguns grandes encherem os bolsos e rirem da nossa cara.
Vamos à teoria?! Prometi esses dias falar sobre porque está, cada dia mais, crescendo o número de aparições de celebridades (e outras pseudo-celebridades) nas semanas de moda, então vamos falar de publicidade.
Num livro que é quase leitura obrigatória e todo mundo que já fez faculdade de comunicação já teve ele em mãos, “Propaganda – Teoria, técnica e prática“, Armando Sant´Anna explica como isso funciona. Num resumo bem rasteiro e até mesmo pra não ser chata, usar celebridades como “formadores de opinião“, para atestar que algo é bom, é uma prática comum na publicidade, na propaganda e no marketing. O “Papa” do marketing, Gilbert Churchill, também tem suas explicações. Em resumo, eles estão lá pra dizer “isso é bom, consumam” mesmo que estejam sendo pagos para isso e nem consumam determinado produto (ou você acha até hoje que a Xuxa usa Monange?).
Parece que descobriram isso agora porque isso é mais velho que a fome e já era velho quando me formei (e olhe que isso faz tempo!). Pois bem. Marcas e mais marcas disputam suas celebridades da vez (assim como no Oscar, Grammy, Globo de Ouro…) pra saber quem vai ser a estrela que vai dizer que o seu produto é bom. (“Compre Batom, compre Batom…” e você cai nessa)

Voltando aos questionamentos, tenho observado um aumento significativo de aparições de celebridades nas semanas de moda. Tudo pelo “marketing”! Aí me pergunto e aproveito pra lançar a reflexão: será mesmo necessário afirmar que um produto é bom porque a atriz que faz a mocinha da novela das oito (que agora é nove) está lá pra atestar que consome (sendo paga pra isso) tanto quanto você, mero mortal? Será que isso não tira o foco do que realmente importa e joga o foco pra uma “ilusão maliciosa”? Mas a pergunta chave é: Será MESMO que o produto é bom?
Questionamentos? Escolhas?
Não espero encontrar respostas tão rápido, muito menos expor tudo que penso a respeito do que venho observando há alguns anos na moda brasileira (decadente) atual. Seria crucificada por isso. Acreditem, mesmo com esse texto eu não disse 1% do que eu penso.
Cadê as novidades? Cadê a preocupação com coisas realmente importantes (sustentabilidade é uma delas… e não me venha dizer que já foi “tema” de semanas de moda porque uma coisa é ser tema, outra é ser realmente sustentável.)? O que realmente importa? Cadê o show, a poesia, o sonho? Sim! Porque moda é sonho, é quase um universo paralelo na passarela! É despertar desejo de um a forma mágica, com arte e criatividade também! Por que com celebridades atestando que é bom? Por que o topo da pirâmide fashion tem que decidir quem aparece, quem entra e o que você deve consumir? E esse assunto vai longe e mundo além da moda…
O que tenho visto é um cenário de reprises, cópias e repetições… não me empolga, não me fascina e me entristece. E você lá aplaudindo e “comprando Batom”…
“Moda é modus, estilo de vida, identidade do seu tempo“… bla bla bla… (Wiskas sachê). Beleza. Mas é essa imagem grotesca do meu tempo que eu tenho que engolir de goela abaixo? Quero não! Desculpa.
Torço pra a moda não tenha morrido. Esteja apenas em estado de coma alcóolico depois de uma bebedeira com Veuve Clicquot em um lounge de uma revista famosa numa fashion week. Que ela esteja numa UTI, passando por um tratamento e volta logo mais, renovada. Mas confesso que depois da despedida de Jum Nakao (2004), depois das palavras de Costanza (2011 – leia a entrevista clicando aqui), da saída (temporária) de Ronaldo Fraga (2012) tenho medo que a moda tenha morrido, sido enterrada e não exista “outro lado da vida”.
Questione-se.
P.S.: E antes que digam que isso é mimimi de quem não foi pra São Paulo Fashion Week… Sim, eu já fui não só pra SPFW (dá uma busca no meu histórico profissional) e não, eu não gostei porque cansa pra caramba trabalhar de verdade numa semana de moda e, pra não ser remunerada, sinceramente eu prefiro ficar em casa e ver na TV de LED em HD deitada no sofazão com as perninhas pra cima.


























24/01/2012, 1:37 | 





24/01/2012 at 6:53
Disse tudo que eu venho pensando nos últimos dias, e depois de chegar duma Fashion WEEK onde cada vez mais os famosos e globais tomam conta do pavilhão da Bienal, e o pior eh que as pessoas ainda dão mídia pra isso, é uma pena!
24/01/2012 at 21:09
Destaco o trecho que a autora Julia Salgueiro que afirma que: A moda é sonho, é quase um universo paralelo na passarela! É despertar desejo de um a forma mágica, com arte e criatividade e concordo quando a revolta com a desorganização global invade o universo que conhecemos muito bem. Isso é só o começo de um mundo que deseja o consumo que não terá mesmo prazo para acabar. Vale refletir…
31/01/2012 at 14:42
Faz todo o sentido. Na verdade falta às pessoas a compreensão de que o que importa realmente é o bom trabalho com seus resultados e não somente a reverberação que ele pode causar. reverberar por reverberar qualquer batida o faz . é uma questão de essência…
20/02/2012 at 17:21
Julia
Me arrepiei a cada frase que lia desse artigo. Principalmente quando falou que moda é um sonho, despertar o desejo e uma forma mágica!
Te apoio 100% , e é por essa atitude, por esse tipo de raciocínio e por essa coragem de falar o que todo mundo pensa mas tem medo de falar, que sou sua fã a cada dia-post que passa.
Bjo
22/02/2012 at 19:14
Gosto de observar as coisas, Cynthia. E, de vez em quando, escrevo sobre as minhas observações.
A moda tá passando por mudanças e td mudança dói um pouco. Logo tudo se arruma.
Bjuxxx